Tecnologia

A computação quântica e os negócios

11O Q System One da IBM – primeiro computador quântico do mundo de uso comercial abrangente – lançado este ano na feira anual Consumer Electronics Show (CES), em Las Vegas, é um marco histórico.

Trata-se de uma corrida para levar a tecnologia dos laboratórios até o dia a dia das companhias — um esforço que hoje inclui nomes de peso como Alibaba, Google e Microsoft, além de startups.

Estima-se de cinco a dez anos para que a computação quântica entre na fase de uso produtivo nos negócios. Antes disso, a tecnologia deverá passar por expectativas exageradas e muitas decepções. O caminho será difícil, mas já podemos apontar algumas certezas.

Uma delas é que a nova tecnologia será muito melhor para fazer simulações complexas e tratar de questões probabilísticas — e a IBM vai tentar convencer o mercado a acelerar a mudança. Além da indústria farmacêutica, outras atividades certamente vão se beneficiar de simulações mais perfeitas, como gestão de investimentos, mensuração de risco em diferentes cenários e pesquisas de novos materiais.

Há previsões de grandes mudanças no setor de segurança da informação. Encriptação quântica pode ser invulnerável diante de ataques feitos por computação clássica. Mas algumas formas de criptografia comuns atualmente tendem a se tornar obsoletas de uma vez só, se o poder de processamento quântico for usado para quebrá-las — o que varreria do mapa empresas do setor que não se prepararem para a mudança. E esse avanço pode ser desastroso para o setor financeiro se não for adequadamente antecipado e administrado.

O perigo não vai se restringir aos serviços financeiros. Profissionais de segurança digital vão precisar rever seus métodos. Os hackers certamente já estão fazendo isso.

Por enquanto, nenhuma empresa brasileira usa a computação quântica. O cenário interno de economia fraca realmente recomenda cautela em transições do tipo. Em outros países, a IBM conquistou seus primeiros aliados. Fez parceria com empresas como Barclays, JP Morgan, Daimler, Honda e Samsung, para explorar possibilidades em cada setor.

Não haverá substituição dos PCs instalados nas empresas consumidoras de tecnologia. A computação clássica vai continuar eficiente e barata para tarefas determinísticas (e não probabilísticas). O modelo de computação quântica que se vislumbra, ao menos para as próximas décadas, é híbrido. Além disso, o modelo de negócios mais provável para a tecnologia quântica é a oferta de serviços em nuvem. Os clientes não terão a tecnologia nos PCs e celulares. Afinal, as máquinas quânticas têm alta sensibilidade e precisam de uma parafernália para funcionar.

Os primeiros passos já foram dados. A computação quântica pode nos levar a um território totalmente novo. Se o passado do setor de tecnologia nos servir como guia, podemos dizer que provavelmente estamos superestimando o que a computação quântica será capaz de fazer nos primeiros anos e subestimando, e muito, o que virá.

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